Trump quer que Bolsonaro pague por deportações de brasileiros dos EUA

Foto26 Jair Bolsonaro e Donald Trump Trump quer que Bolsonaro pague por deportações de brasileiros dos EUA
“Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos?” Questionou. “Eu jamais pediria para ele (Trump), você acha? Vou pedir para ele descumprir a lei dele?” Disse Bolsonaro com relação a Trump

Em 2019, o aumento do índice de brasileiros que tentou entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira sul do país atingiu 600%, ou seja, 18 mil

Na segunda-feira (27), durante uma teleconferência de imprensa, Ken Cuccinelli, sub-secretário interino do Departamento de Segurança Nacional (DHS), disse que a administração atual dos EUA gostaria que o Brasil arcasse com o aluguel dos aviões fretados que transportam cidadãos brasileiros deportados do país. Atualmente, o custo dessas operações é arcado pelo governo estadunidense e envolve imigrantes brasileiros que tentam entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira com o México.

“Há um grande número de ilegais vindo aos Estados Unidos e é preciso encarar isso. E eles (autoridades brasileiras) precisam começar a lidar com a situação de forma mais agressiva do que no passado”, disse Cuccinelli durante a teleconferência.

Em 2019, o aumento do índice de brasileiros que tentou entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira sul do país atingiu 600%, ou seja, 18 mil, em contraste com 3.252 em 2016.

O motivo principal da reunião foi discutir com a imprensa as medidas adotadas pelo Presidente Donald Trump, que é aliado do Presidente Jair Bolsonaro, para impedir o fluxo clandestino de pessoas através da divisa com o México.

Ainda durante a coletiva de imprensa, Cuccinelli destacou que o governo brasileiro tem adotado medidas positivas com o objetivo de combater a imigração clandestina. Recentemente, a administração Bolsonaro reintroduziu a prática adotada por Michel Temer em conceder “atestados de nacionalidade” aos brasileiros em processo de deportação e que não possuem passaporte válido. A regra determina a emissão de documento de viagem somente com o pedido expresso do interessado. Em virtude disso, inúmeros brasileiros nos EUA evitam propositalmente solicitar o documento nos consulados, na tentativa que isso dificulte a deportação. Na contrapartida, os consulados começaram a emitir os atestados, independente da solicitação dos interessados.

Ainda durante a conversa com repórteres, Cuccinelli destacou que muitos imigrantes de outros continentes utilizam o Brasil como “rota de passagem” para entrar clandestinamente nos EUA.

“Brasil tem sido uma espécie de atrativo para pessoas de fora do Hemisfério Ocidental que vêm aos Estados Unidos”, disse o sub-secretário. “Nós esperamos ver um policiamento melhor e mais segurança, na forma como falamos sobre medidas de segurança de nações da América Central”, acrescentou.

Durante a visita de quatro dias à Nova Délhi, Índia, o Presidente Jair Bolsonaro se posicionou com relação ao voo fretado pelos EUA que levou brasileiros algemados e deportados do país. Ele afirmou aos repórteres que é preciso cumprir as leis estadunidenses, gerando polêmica.

“Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos?” Questionou. “Eu jamais pediria para ele (Trump), você acha? Vou pedir para ele descumprir a lei dele? Tenha a santa paciência. A lei americana diz isso. É só você não ir para os Estados Unidos de forma ilegal”.

. Ativistas reagem:

Ainda no sábado (25), Bolsonaro disse que lamentava o que aconteceu, mas destacou a necessidade de obedecer às leis estrangeiras. O voo saiu dos EUA na noite de sexta-feira (24) e chegou ao Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), no sábado (25), transportando dezenas de brasileiros deportados.

“Em qualquer país, as suas leis têm de ser respeitadas. Em qualquer país do mundo onde pessoas estão lá de forma clandestina, é direito daquele chefe de Estado, usando da lei, devolver esses nacionais”, destacou.

Vários ativistas e ONGs defensoras dos direitos dos imigrantes repudiaram os comentários feitos por Bolsonaro, entre eles, o Grupo Mulher Brasileira.

“O Grupo Mulher Brasileira denuncia esta política desumana, indigna e suja de subserviência do governo brasileiro em nome de relações políticas que aparentemente só privilegiam um lado, o norte-americano. Um governo que não respeita seu povo não merece o respeito popular”, publicou o jornal Brazilian Times.

 

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