Executivo brasileiro acusado de corrupção é preso em NY

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José Carlos Grubisich é acusado de ter feito parte de um esquema que desviou centenas de milhões de dólares da Braskem para um fundo secreto de investimentos

O paulista José Carlos Grubisich, de 62 anos, foi detido pelas autoridades dos EUA na quarta-feira (20)

Na quarta-feira (20), o paulista José Carlos Grubisich, de 62 anos, foi formalmente acusado de corrupção na Corte Distrital Leste de Nova York. Ele atuou como executivo chefe (CEO) da Braskem AS, uma companhia brasileiro de petroquímicos, e é suspeito no esquema de suborno e lavagem de dinheiro envolvendo a Braskem e a empresa coligada, a Odebrecht SA. O esquema resultou no desvio de centenas de milhões de dólares da Braskem para um fundo secreto de investimentos. Uma parte dessa verba desviada era usada para subornar autoridades governamentais, partidos políticos e outros no Brasil para obter e manter negócios. A prisão ocorreu quando ele estava no Aeroporto Internacional JFK, na região metropolitana de Nova York, e o esquema teria movimentado mais de US$ 250 milhões.

Grubisich, que também serviu como membro do Comitê de Diretores da Braskem e diversas vezes na Odebrecht, foi acusado de ter violado as provisões contra suborno do Ato Contra Práticas Corruptas Estrangeiras (FCPA) e conspirar para cometer lavagem de dinheiro. Ele foi preso na manhã de quarta-feira (20) e compareceu perante o Juiz Raymond J. Dearie, do Tribunal Distrital dos EUA.

“Como indica a acusação, José Carlos Grubisich utilizou a posição dele como CEO de uma companhia petroquímica grande para desviar centenas de milhões de dólares através de contas em paraísos fiscais para subornar intermediários poderosos e servir os interesses da companhia dele”, relatou o promotor público de justiça, Richard P. Donoghue. “A acusação de hoje mais uma vez representa o compromisso do Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA na investigação e punição daqueles que tiram proveito do sistema financeiro dos EUA para cometer os crimes financeiros deles”.

“Grubisich e outros executivos sêniores da Braskem e Odebrecht teriam se envolvido num sistema internacional massivo e sofisticado de suborno e lavagem de dinheiro, utilizando fundos secretos de investimento, companhias laranja e contas falsas”, acrescentou o promotor de justiça, Brian A. Benczkowski. “Como demonstradas pelas acusações lidas hoje, o Departamento continua a trabalhar com os nossos parceiros domésticos e internacionais no combate à fraude e corrupção corporativas e a corrupção em níveis altos”.

Como detalham as informações, entre 2002 e 2014, Grubisich e seus comparsas criaram um fundo falso de investimentos ao transferir fundos da contas bancárias na Braskem no Brasil, Nova York e Flórida para contratos fraudulentos com companhias laranja estrangeiras que eram controladas secretamente pela Braskem. Então, as companhias laranja injetavam as verbas para um departamento na Odebrecht, que era a responsável por pagar os subornos em nome da Braskem.

Como o CEO da Braskem, Grubisich participava nas negociatas e aprovava os subornos às autoridades governamentais, incluindo os pagamentos as propinas que a Braskem mantivesse o contrato de um grande projeto petroquímico no Brasil para garantir que a empresa oferecesse preços favoráveis nas negociações de contrato com a Petróleo Brasileiro SA (Petrobrás). Ele discutiu regularmente o pagamento dos subornos com os comparsas dele e foi informado dos subornos feitos em nome das Braskem. Várias propinas foram negociadas e autorizadas por José Carlos depois que ele deixou a posição dele como CEO em 2008, mas enquanto ele continuou a atuar em outros cargos na Odebrecht e Braskem e como acionista da última.

 

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