Duas pessoas são presas nos EUA por ajudar brasileiro a fugir do Japão

Carlos Ghosn scaled Duas pessoas são presas nos EUA por ajudar brasileiro a fugir do Japão
O ex-militar Michael Taylor e seu filho, Peter Taylor, são acusados de participarem no plano de contrabandear Carlos Ghosn (Foto)

O executivo Carlos Ghosn é acusado de fraude financeira quando ocupava o cargo de CEO da Nissan

Na quarta-feira (20), um ex-militar e o filho dele foram presos por autoridades nos EUA por supostamente terem ajudado Carlos Ghosn a escapar do Japão em uma caixa de equipamentos para shows. O ex-soldado das forças especiais dos EUA, Michael Taylor, e seu filho, Peter Taylor, são acusados de participarem no plano de contrabandear o CEO da Nissan do Japão em dezembro do ano passado.

Ghosn estava sob fiança enquanto aguardava julgamento por supostamente sonegar US$ 80 milhões em ganhos compensatórios e desviar dinheiro da empresa para seu próprio uso. Os documentos do tribunal anunciando a prisão de pai e filho, assim como os detalhes de seus supostos crimes foram citados no tribunal federal de Massachusetts, também na quarta-feira (20).

O pai e o filho, que moram em Harvard (MA), aparecerão através de videoconferência para uma audiência na quarta-feira à tarde.

O aeroporto internacional japonês onde o executivo Carlos Ghosn iniciou a fuga do país, aparentemente, tinha uma falha na segurança que o permitiu embarcar facilmente num voo particular. Uma das pessoas que organizou a viagem do ex-CEO da Nissan desde Tóquio até o Líbano descobriu que bagagens grandes que não cabem na máquina de raios X do Osaka’s  Kansai International Airport. Isso permitiu que o brasileiro embarcasse num jato rumo a Istambul no interior de uma caixa que armazena equipamentos de áudio com furos feitos no fundo para que ele possa respirar.

Os agentes de segurança deveriam abrir qualquer bagagem grande demais para passar pela máquina de raios X. Entretanto, bagagens pertencentes a passageiros de jatos privados nem sempre recebem o mesmo tratamento, pois essas pessoas oferecem risco menor de terrorismo. A descoberta ocorreu depois da fuga de Carlos e as autoridades japonesas terem tornado mais rigorosas as medidas migratórias para impedir que outros detentos fujam do país.
A ministra de justiça japonesa, Masako Mori, disse que ela instruiu as autoridades migratórias para endurecer os procedimentos na Alfândega depois que Ghosn fugiu do país enquanto aguardava julgamento por fraude financeira, uma acusação que ele nega. As autoridades também avaliam a possibilidade de os suspeitos portarem monitores eletrônicos enquanto estão em liberdade sob fiança. Mori realizou a primeira coletiva de imprensa sobre o caso desde que Ghosn apareceu em Beirute na semana passada.

Apesar de Carlos não ter sido obrigado a portar um monitor (GPS), ele era constantemente vigiado por uma equipe de seguranças e câmeras de vigilância na casa dele em Tóquio. Entretanto, os vigilantes particulares pararam de monitorar Ghosn em 29 de dezembro, o mesmo dia em que ele pegou um trem bala de Tóquio a Osaka. Já em Osaka, ele voou para Istambul e depois Beirute. A MNG Jet, a companhia privada turca que descobriu a caixa preta que transportou Carlos, apresentou uma acusação criminal contra um empregado suspeito de ter falsificado documentos para os 2 aviões que ajudaram o brasileiro a escapar.

Mori disse que as autoridades japonesas ainda podem pressionar para a extradição de Ghosn, mesmo que o país não tenha acordo de extradição com o Líbano. “A fuga é uma forma injusta e sem os procedimentos corretos equivale a contrabando, uma saída ilegal é o mesmo que um crime”, concluiu.

 

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