Brasileiro vice-diretor de agência da ONU é acusado de assédio sexual

Foto23 Luiz Lures  Brasileiro vice diretor de agência da ONU é acusado de assédio sexual
Luiz Loures é um dos pioneiros em tornar as drogas de combate a AIDS disponíveis em países em desenvolvimento (Foto: UNAIDS.org)
Foto23 Martina Brostom  Brasileiro vice diretor de agência da ONU é acusado de assédio sexual
Martina Brostom acusou Luiz Loures de beijá-la à força no interior de um elevador num hotel em Bancoc (Foto: Twitter)

Luiz Loures é acusado de agarrar e beijar Martina Brostrom no interior de um elevador num hotel em Bancoc, em maio de 2015

Na segunda-feira (30), a agência das Nações Unidas (ONU) que se dedica no combate à AIDS informou que reabriu a investigação de assédio sexual, após o surgimento de mais acusações. A UNAIDS evitou especificar as novas acusações contra o brasileiro Luiz Loures, que ocupa do cargo de diretor executivo interino de programas. Em novembro de 2016, ele foi acusado de ter cometido assédio sexual por uma funcionária da agência, Martina Brostrom. Ela alega que o brasileiro a agarrou e a beijou à força no interior de um elevador de hotel em Bancoc, em maio de 2015. O brasileiro nega a acusação.

Na ocasião, o departamento da Organização Mundial de Saúde (WHO) que investigou o caso concluiu que não havia evidências suficientes que apoiassem a acusação de assédio sexual e nenhuma evidência de abuso sexual. As agências de notícia geralmente não identificam as vítimas de abuso sexual, mas Martina deu entrevistas à mídia depois que um painel da WHO aceitou a recomendação dos investigadores e encerrou o caso.

Através de um e-mail enviado na segunda-feira (30), Martina disse que não estava otimista que uma 3ª revisão do caso teria um resultado diferente. “Em virtude das irregularidades ocorridas nas investigações anteriores, eu não tinha confiança que outra investigação interna da ONU culminaria num final independente e objetivo”, comentou.

Conforme a UNAIDS, o diretor geral da WHO, Tedros Ghebreyesus, pediu ao departamento de assuntos internos da ONU para conduzir uma nova investigação. O porta-voz da UNAID, Roman Levchenko, detalhou a necessidade de sigilo “para proteger a integridade e confidencialidade do processo”. O WHO também evitou comentar as investigações.

A porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que o órgão concorda com a reabertura da investigação e “a suspensão da decisão de encerrar o caso até a finalização de uma investigação mais ampla”.

Segunda-feira (30), foi o último dia de Loures na UNAIDS, informou Levchenko. Em fevereiro, o porta-voz do órgão, Mahesh Mahalingan, disse aos repórteres em Genebra que o brasileiro deixaria o cargo até 31 de março. Na ocasião, ele alegou que a saída de Loures não tinha nada a ver com as acusações de Brostom, mas que o diretor executivo interino achava que “esta é a hora para ele (Loures) seguir em frente”, após 22 anos de serviços “longos e distintos” prestados a UNAIDS. Além disso, Mahalingam elogiou o brasileiro como um pioneiro em tornar as drogas de combate a AIDS disponíveis em países em desenvolvimento.

O diretor executivo da UNAIDS, Michel Sidibe, disse através de um comunicado, na segunda-feira (30), que o órgão “possui tolerância zero com relação a assédio sexual” e que “colaborará completamente com todos os aspectos da investigação nova”. No início de 2018, a UNAIDS informou que recebeu somente 2 denúncias de assédio sexual entre 2013 e 2017 e que ambos os casos não tinham mérito. O órgão possui cerca de 700 funcionários entre a sede em Genebra e escritórios locais.

Sidibe detalhou que pediu para não participar do caso e que outros representantes da UNAIDS estarão envolvidos a partir de agora. A entidade, cujo nome oficial é Joint United Nations Program on HIV/AIDS, reúne 11 organizações da ONU na ajuda à redução das infecções pelo vírus HIV e as mortes relacionadas à AIDS.

 

 

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