Maria mutema

rose josh 249x300 Maria mutemaExistiu no agreste Jequitinhão
mulher ligeira como sariema
a sertaneja Maria Mutema
na vida não temeu assombração
apois não foi acesso do coração
que carregou a vida do marido
viuvou em um sono mal dormido
ele estava morto de madrugada
sua passagem não foi bem explicada
doença braba é que não tinha sido

Adepois de enterrado o defunto
Maria Mutema não lacrimeja
se transforma em piolho de igreja
confessadeira daquelas sem assunto
do Padre Ponte estava sempre junto
o vigário só se encaveirando
como a vela no fogo definhando
confissão de Maria era tristeza
o Padre esbravejava com dureza
era ela que o estava matando

O Padre Ponte bateu a caçuleta
faleceu na tristeza do mal triste
Maria Mutema cavou o despiste
e fugiu da igreja igual cometa
sumiu ela e a sua roupa preta
o novo padre não soube a razão
Muitos anos e veio uma Missão
com dois padres lá do estrangeiro
reza forte e sermão de justiceiro
arrancaram de Maria a confissão

E foi confissão de voz gritada
a Maria debulhou os seus pecados
deixando os cristãos horrorizados
cada frase era como chicotada
Maria Mutema virou bruxa malvada
foi ela quem matou o seu marido
aproveitou que ele tinha dormido
cometeu crime bárbaro e vil
derreteu chumbo e com funil
despejou no buraco do ouvido
Padre Ponte também morreu por ela
que mentia lá no confessionário
dizendo: “eu te amo meu vigário
meu marido troquei por sua costela”
padre Ponte triste com a mazela
se sentia o próprio assassino
no olhar das carolas um libertino
não resiste ao peso da má sorte
empurrado para os braços da morte
morreu triste e selou o seu destino

Quando desenterraram o tal marido
bola de chumbo fazia uma zoeira
se sacolejavam a sua caveira
todo mundo escutava o tinido
Maria teve castigo merecido
ficou presa na casa-de-escola
onde nada do mundo lhe consola
ajoelhada implorava por perdão
o remorso explodindo o coração
o lamento gritado na Gaiola

A Maria abraçou o sofrimento
até o povo lhe conferir o perdão
muita gente levando uma oração
soprava na sua alma o alimento
e sofria ouvindo o seu lamento.
Ela morreu sozinha entre os cães
e recebeu preces de tantas mães
dizem até que virou bondosa santa
e na cova brotou uma linda planta
o povo diz, a Rosa dos Guimarães.

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