O traço comum de um trio incomum

Somos um país de quase 200 milhões de técnicos de futebol. Todos se acham no direito de dar ao técnico Dunga pitacos que serão essenciais na conquista de mais uma copa do mundo.

Vou entrar na onda.

Eu, que até duas semanas atrás achava que Dunga estava correto em não chamar os jovens Neimar e Paulo Henrique Ganso, mudei radicalmente de idéia.

Eu que os achava verdes e abusados.

Eu que os via sem o traquejo necessário e sem a experiência internacional que justificasse uma convocação.

Eu, que mudei de idéia ao vê-los trucidando os adversarios do Santos, pequenos e grandes, ao longo dos dois últimos meses do Paulistão.

E explico os meus porquês.

E até consigo uma vaguinha para ambos.

Uma destas vagas eu criaria com a não convocação do flamenguista Adriano.

Ótimo jogador e um artilheiro de capacidade comprovada, Adriano é um barril de pólvora, uma bomba-relógio prestes a explodir.

Sua vida pessoal atribulada não tem permitido que o o Imperador jogue o seu melhor futebol.

Muito mais grave, sua instabilidade emocional, deflagrada por sua conflituosa relação com a eterna noiva Joana Machado, fazem dele uma temeridade.

E cito, como exemplo, aquele episódio da copa disputada na França, em que boatos de um suposto romance do jornalista Pedro Bial e Susana Werner, então namorada do fenômeno Ronaldo, abalou e desconcentrou aquele que era nossa maior esperança de um novo título.

Quem garante que Adriano contornará seus conflitos amorosos e se manterá longe de seus fantasmas em pleno decorrer da Copa do Mundo?

Ronaldinho Gaúcho, craque de renome cuja presence é reclamada pelo país inteiro, é outro que eu não levaria.

O habilidoso meia do Milan já teve suas oportunidades e, a meu ver, nunca jogou na seleção o vistoso e inspirado futebol que desempenha nos clubes.

O futebol de hoje, salvos raríssimas excessões (o argentino Messi e o português Cristiano Ronaldo, por exemplo) ficou pragmatico demais.

É tudo muito tático, os atletas são dotados de grande capacidade física e o que se assiste é uma tremenda demonstração de força e estratégia.

E é aí que Neymar e Ganso podem fazer a diferença.

Concordo que eles não possuem a experiência internacional que se requer de um jogador de copa do mundo, mas são casos excepcionais.

Pelé, com 17 anos de idade encantou o mundo.

Não cairei na armadilha de comparar o jovem duo santista ao Rei do futebol, mas vejo entre os três um traço comum.

Assim Como Edson Arantes do Nascimento, Neymar e Paulo Henrique Ganso já nasceram prontos.

Assim como Pelé, Neymar e Ganso escrevem a palavra futebol com a poesia tatuada no bico de suas chuteiras.

Related posts

Comentários

Send this to a friend