Paisagem musical brasileira

Capa CD Peranzzetta e Senise e Amazonas Band 001 Paisagem musical brasileiraConvidados a participar do 7º Festival Amazonas Jazz, o pianista, compositor e arranjador Gilson Peranzzetta e o saxofonista e flautista Mauro Senise uniram-se à Amazonas Band, que tem como regente Rui Carvalho. O concerto, realizado no Teatro Amazonas, em julho de 2012, foi gravado ao vivo e resultou no CD Amazonas Band convida Gilson Peranzzetta e Mauro Senise (realização do Governo do Estado do Amazonas, através de sua Secretaria de Estado de Cultura).
A Amazonas Band conta com cinco saxofonistas, que também tocam flauta e clarinete, cinco trompetistas, quatro trombonistas, um guitarrista, um tecladista, um baixista, que se reveza entre o elétrico e o acústico, um baterista e um percussionista. Dezenove músicos sob a batuta do maestro Rui Carvalho (também diretor musical do encontro).
O som que tiram é caudaloso e afinado. Mesmo em naipe, os instrumentos realizam a proeza de se fazer ouvidos em sua individualidade. Cada um tem sua zona de conforto delimitada pelo pentagrama e ali brilha pelo desenho escrito para ele. A soma de tudo é intensa, mas cada um tem resguardada a sua participação no todo. Claro que a mixagem e a posterior masterização contribuíram para o feito. Mas o desempenho dos musicistas é uma demonstração cabal de que cada um tocou buscando ouvir os outros. Demonstração da plena consciência que têm de que a individualidade é reforçada no coletivo: em gravação ao vivo, isso é formidável.
Peranzzetta e Senise caíram bem, como semente em terra boa, em meio à banda. Suas excelências encaixaram-se rapidamente no contexto sonoro dela. E a soma de tanto virtuosismo impulsionou interpretações de alto nível.
Para tanto, é necessário enaltecer a escolha do ótimo repertório de gêneros variados, apto a ser instrumentalizado pelos 21 músicos: “Linha de Passe” (João Bosco, Aldir lvan e Paulo Emílio), “Manhã de Carnaval” (Luiz Bonfá e Antonio Maria) e seis composições de Gilson Peranzzetta – quatro só dele (dentre elas “Paisagem Brasileira”, que abre o CD), uma em parceria com Dori Caymmi (“Obssession”) e outra com Ivan Lins e Paul Williams (“Love Dance”). São músicas cujas harmonias se prestam a arranjos simples ou intrincados (todos a cargo de Peranzzetta), e suas melodias são carregadas de insinuações próprias que antecipam desenhos criados a partir delas.
Em meio à sua musicalidade amazônica, a Amazonas Band se esbalda em suingue e contrapontos, de onde brotam a flauta, os saxes e o pícolo de Mauro Senise e o piano de Gilson Peranzzetta. Cada solo ou improviso deles emerge da sonoridade dos metais, como se ali estivessem prontos para nascer desde sempre.
Por outro lado, solos e improvisos de instrumentistas da Amazonas Band, em cinco das oito faixas do disco, em bela demonstração de virtuosismo, equivalem-se em capacidade criadora aos de Mauro e Gilson. Todos craques na arte de chocar a caretice e de mostrar que inventividade é o que não falta ao instrumentista brasileiro.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

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