O CD de Pascoal Meirelles revela a música instrumental brasileira em seu apogeu

Ostinato (Delira Música) é o CD de Pascoal Meirelles. Baixista de formação, mestre de uma geração de músicos que brilham nesse instrumento, ele fez um disco de conjunto. Um disco que privilegia (e em que prevalece) o que cada parceiro dessa jornada tem de melhor.

Dividindo arranjos, buscando composição entre as obras de seus pares, Pascoal demonstra que a ampla música está acima de tudo. Ele, um virtuoso também, convidou instrumentistas do primeiríssimo time para dividir as dez faixas do álbum. E, para com ele tocar cinco de suas composições e mais uma música de cada companheiro, trouxe Jota Moraes (teclados e arranjo para o tema de sua autoria, “Romanza”), Daniel Garcia (sax tenor e arranjo para sua “Jardim”), Idriss Boudrioua (sax alto e arranjo para sua “Para Mr. Silver”), Jessé Sadoc (trompete, flugelhorn e arranjo para sua “Pro JT”) e Ugo Marota (plugin piano, mixagem, coprodução musical e arranjo para sua “Julinha”).

Com eles, Altair Martins (trompete), Alexandre Carvalho (guitarra), André Neiva (baixo elétrico), Ary Piassarollo (guitarra), Dario Galante (piano elétrico), Guilherme Dias Gomes (trompete e flugelhorn), Mauro Senise (sax alto), Mingo Araújo (bongô), Osmar Milito (teclados), Paulo Russo (baixo acústico) e Sérgio Barrozo (baixo acústico), além da participação especial de Márcio Montarroyos (flugelhorn), na sua última gravação em um CD. Todos em admirável forma.

Os temas presentes em Ostinato têm ótimas harmonias e melodias, o que propicia alta criatividade aos instrumentistas. Os arranjos para “Romanza” (Jota Moraes), “Pro JT” (Jessé Sadoc), “Jardim” (Daniel Garcia), “Simplesmente” (Pascoal Meirelles), “Tambá” (Pascoal Meirelles), “Julinha” ((Ugo Marota), “Sissi Steps” (Pascoal Meirelles) e “Ostinato” (Pascoal Meirelles), baseados em naipes de sopros, aguçam os ouvidos de quem os escuta. Em apenas um deles, “Tão Simples Como o Jazz” (Pascoal Meirelles), há somente um sopro (mas que sopro!), o flugel do saudoso Marcio Montarroyos.

Pascoal Meirelles é da “banda” e com ela se diverte fazendo o que todos os participantes mais gostam de fazer: tocar uns para os outros – quase se pode vislumbrar os sorrisos trocados entre eles no estúdio –, propiciando-nos grande momentos. Ao fim de cada faixa, a vontade é aplaudi-los de pé.

Para cada tema, para cada arranjo, para cada solo, para cada improviso, para cada riff, para cada levada, seja ela de samba ou de bolero, surge imponente o jazz com alma brasileira.

O desfile de música instrumental comandada por Pascoal – ele que demonstra como poucos que a bateria pode e deve ser discreta, com as peles dizendo mais do que os pratos abertos –, é exemplo do amadurecimento do instrumentista brasileiro. Mais: é a demonstração cabal de que a riqueza da música instrumental faz com que o músico se revele plenamente inspirado, plenamente amadurecido.

Viva o instrumentista brasileiro!

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