Se deixarmos as portas abertas

Arriscamos a ser surpreendidos pelo ladrão.

O ditado é antigo, mas real e atual. E o mais natural, será depositar a culpa toda nele. Mas… E nós? O quanto o ajudamos nisto?

Sempre foi e sempre será assim… Tarde demais descobrimos que facilitamos e deixamos as portas abertas. E pela lei natural das coisas… Vamos reclamar depois. E como vamos reclamar.

Porque isto poderia ter acontecido com todos, menos conosco. Porque isto é coisa para acontecer com qualquer outra pessoa, menos conosco.

Nenhuma situação mais inusitada do que esta. Onde ficaram os valores que tínhamos e acreditávamos? Para onde foram os projetos, os sonhos, as ilusões?

O certo é de alguma maneira e em grandes momentos finais, todos falham. Quem rouba e quem é roubado. O mais difícil e quase impossível é aceitar. E mais até do que só aceitar, assumir.

Talvez tenhamos tido até vontade de pedir de volta o que nos foi levado. Pedir de volta o que era nosso. Mas… E o orgulho que nos feriu? É mais forte que o roubo.

Porque teríamos que assumir que provocamos a tentação do ladrão. Porque teríamos que também dizer, volte aqui e devolva o que é meu.

Mas porque o faríamos? O erro não foi nosso. Que culpa temos se omissos e descuidados, deixamos as portas abertas? Quem deveria resistir à tentação, não éramos nós. Quem sucumbiu… Só que agora, vamos fechar nossas portas. O que se passa lá fora e com o ladrão, não nos interessa. Porque nós… Continuamos sendo perfeitos. As portas não foram feitas por nós… E se as esquecemos abertas…

Que superassem as decepções, tentações, desejos e vontades. Ora! Estas na certa também não eram nossas.

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos, [email protected]

Related posts

Send this to a friend