Sem criticar Bolsonaro, Trump promete rever restrições ao Brasil

Jair Bolsonaro e Donald Trump Sem criticar Bolsonaro, Trump promete rever restrições ao Brasil
“Bem, ele [Jair Bolsonaro] seguiu um caminho diferente. O Brasil tomou um caminho diferente”, disse Trump
O Presidente comentou que o dirigente brasileiro optou por “um caminho diferente” no combate à pandemia de coronavírus

Na sexta-feira (29), o Presidente Donald Trump comentou que o Presidente Jair Bolsonaro optou por “um caminho diferente” no combate ao coronavírus, reconhecendo que o Brasil vive um “momento difícil”. Entretanto, ele evitou criticar o dirigente brasileiro.

“Bem, ele [Jair Bolsonaro] seguiu um caminho diferente. O Brasil tomou um caminho diferente. Com certeza, eles estão passando por um momento difícil. Eu não quero criticar ninguém porque eu tenho muito respeito por ele”, disse Trump durante entrevista à GloboNews.

Ainda durante a entrevista, ele acrescentou que que pretende aliviar as restrições de viagens impostas aos estrangeiros que chegam nos EUA a partir do Brasil. “Assim que pudermos”, disse ele.

Na segunda-feira (25), o Presidente Donald Trump decidiu antecipar a restrição de passageiros brasileiros, que estava agendada para vigorar na sexta-feira (29), para a quarta-feira (27). O decreto visa impedir a disseminação do coronavírus entre os EUA e Brasil.

No domingo (24), a Casa Branca anunciou a proibição de não-cidadãos que viajam do Brasil para os EUA. O governo Trump disse que está suspendendo a entrada de qualquer pessoa que esteja no país atingido por coronavírus nos últimos 14 dias.

“O potencial de transmissão por indivíduos infectados que procuram entrar nos Estados Unidos vindos da República Federativa do Brasil ameaça a segurança de nosso sistema e infraestrutura de transporte e a segurança nacional”, disse o Presidente Trump em uma proclamação.

“Decidi que é do interesse dos Estados Unidos tomar medidas para restringir e suspender a entrada nos Estados Unidos, como imigrantes ou não imigrantes, de todos os estrangeiros que estiveram fisicamente presentes na República Federativa do Brasil durante os últimos 14 dias à entrada ou tentativa de entrada nos Estados Unidos”.

Depois de surgir na China e devastar nações como Itália, Espanha e EUA, o coronavírus ganhou força no Brasil com um efeito aterrorizante. Na tarde de domingo (24), o Brasil registrou 347.398 casos confirmados da doença, segundo a Universidade Johns Hopkins, o índice mais alto do mundo depois dos EUA. Além disso, o país já perdeu 22.013 vidas devido à pandemia.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, disse que a medida visa impedir que o surto no Brasil se espalhe para os EUA, entretanto, enfatizou que o comércio entre os dois países não será afetado.

“A ação de hoje ajudará a garantir que os estrangeiros que estiveram no Brasil não se tornem fontes de infecções adicionais em nosso país”, disse McEnany em comunicado. “Essas novas restrições não se aplicam ao fluxo de comércio entre os Estados Unidos e o Brasil”.

O Brasil superou os EUA no registro diário de mortes decorrentes do coronavírus. O Ministério da Saúde confirmou 807 novos óbitos na segunda-feira (25). O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA incluiu 620 mortes no balanço oficial. Essa foi a primeira vez, segundos os dados oficiais, que a pandemia fez com que o Brasil tivesse mais notificações de mortes do que os EUA.

Conforme o levantamento da Universidade Johns Hopkins, o registro diário de óbitos nos EUA foi de 532 na segunda-feira (25). O que diferencia as fontes é a multiplicidade de bancos de dados usada pela Johns Hopkins, enquanto o CDC, órgão do governo federal dos EUA, depende das informações divulgadas pelos departamentos de saúde estaduais e municipais.

 

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