Justiça culpa avós brasileiros por sequestro de neto nos EUA

 

Foto29 Carlos Otavio e Jemima Guimaraes  Justiça culpa avós brasileiros por sequestro de neto nos EUA
Desde 2013, o médico Christopher Brann (esq.) luta na justiça para reaver a custódia do filho, Nicolas Brann (Foto: Twitter)
Foto29 Christopher e Nicolas Brann Justiça culpa avós brasileiros por sequestro de neto nos EUA
Acompanhados de parentes e amigos, Carlos Otávio e Jemima Guimarães deixaram o prédio da Corte sem falar com os repórteres (Foto: Twitter)

Carlos Otávio e Jemima Guimarães foram considerados culpados de sequestro internacional e inocentes de conspirarem para cometer o sequestro

Na sexta-feira (25), num tribunal federal em Houston (TX), o empresário brasileiro Carlos Otávio Guimarães, de 67 anos, e a esposa dele, Jemima Guimarães, de 65 anos, foram considerados culpados de ajudarem a filha, Marcelle Guimarães, de 39 anos, de sequestrar o neto, Nicolas (Nico) Brann, de 8 anos. Após leitura do veredito, o juiz determinou que o casal permanecesse em prisão domiciliar até o dia da sentença. Acompanhados de parentes e amigos, eles deixaram o prédio da Corte sem falar com os repórteres. As informações são do noticiário Eyewitness News, do canal de TV ABC-13.

“Eu penso que eu e a minha equipe estamos arrasados”, disse Rusty Hardim, advogado de defesa que representa os brasileiros, aos repórteres. “Nós estamos tremendamente surpresos e desapontados”.

Hardim e a equipe dele passaram vários dias atacando a testemunha principal da Promotoria Pública, o pai da criança, o médico Christopher Brann. Eles alegaram que Brann agredia fisicamente a ex-esposa quando viviam juntos. Temendo mais violência doméstica, Marcelle teria fugido para o Brasil com o filho do casal. Os advogados dos avós insistiram durante todo o julgamento que eles estavam simplesmente apoiando a filha deles.

“O fato é, essas pessoas estavam apoiando a filha deles; as evidências não contradizem que ela era vítima de violência doméstica e essa é a defesa”, disse Hardin.

Christopher testemunhou que o sequestro internacional aconteceu em 2013 e que desde então vem lutando para reaver o filho. Ao longo dos 8 dias de julgamento, testemunhas disseram que Carlos Otávio e Jemima ajudaram Marcelle a conseguir emprego e matricular Nico numa escola no Brasil, como parte do plano de manter o menino permanentemente no país deles.

Brann casou-se com Guimarães em 2008 e o menino nasceu 1 ano depois. A família do médico compareceu ao julgamento, embora ele não estivesse quando o veredito foi lido. Através de um comunicado, ele disse: “Eu nunca quis que chegasse a esse ponto; pois a única coisa que eu queria é que o meu filho voltasse para casa. Eu espero que eles sejam responsabilizados pelas ações deles e façam todo o possível para que ele (Nico) retorne para casa o mais rápido possível”.

Também na sexta-feira (25), através de outro comunicado, o FBI informou que o veredito não encerra o caso. “O veredito de hoje de forma alguma conclui os esforços do FBI de reunir a criança com o pai dele. O FBI está dedicado a investigar aqueles que removem ou tentam remover uma criança dos Estados Unidos ou mantém uma criança fora dos Estados Unidos com o objetivo de obstruir os direitos de custódia de um dos pais”.

Em 2012, Marcelle pediu o divórcio. Na ocasião, o casal compartilhou a custódia de Nicolas durante vários meses. Brann alegou que, em 2013, a ex-esposa utilizou um casamento na família como razão para que ele deixasse a criança viajar ao Brasil. Nicolas tinha 3 anos de idade na época.

Conforme a ação judicial, Marcelle deveria ter levado Nico ao Brasil em 2 de julho e retornado a Houston até 20 de julho de 2013. Quando a brasileira e o filho não retornaram, Brann iniciou um processo contra a ex-esposa e os pais dela. Os ex-sogros foram detidos durante escala num aeroporto em Miami (FL), quando retornaram aos EUA para participar da festa de aniversário de outro neto em Houston (TX). Marcelle e Nico permanecem no Brasil, fora do alcance dos procuradores de justiça americanos.

Carlos Otávio e Jemima Guimarães foram considerados culpados de sequestro internacional e inocentes de conspirarem para cometer o sequestro. O juiz disse que aguarda receber formalmente receber a decisão dos jurados no caso para que ele possa avaliar as objeções apresentadas pela defesa; o que pode demorar até 3 meses.

 

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