ICE defende criação de universidade falsa no combate à fraude de vistos

Foto27 University of Farmington ICE defende criação de universidade falsa no combate à fraude de vistos
Quase 80% dos 250 estudantes que foram presos deixaram os EUA voluntariamente, de acordo com o ICE

Os estudantes chegaram legalmente nos EUA, principalmente da Índia, e estavam em programas de visto de estudante F-1

As agências federais se opuseram às críticas de que prenderam centenas de estrangeiros que se matricularam em uma universidade falsa que as agências abriram em um esforço para combater a fraude de vistos, em Farmington Hills, Michigan. As autoridades alegam que aqueles que se matricularam sabiam que não estavam se inscrevendo em uma escola real e que os estrangeiros só queriam uma maneira de permanecer nos EUA.

A operação secreta que visava estudantes da Universidade de Farmington, em Farmington Hills, era legal e ajudou a combater a fraude de vistos, alegou o promotor de justiça do Distrito Leste de Michigan e chefe da divisão de investigação do Departamento de Alfândega & Imigração (ICE) em Detroit.

“Os agentes especiais do HSI, como parte dessa operação secreta, deixaram bastante claro em suas interações com potenciais matriculados na Universidade de Farmington que a escola não oferecia nenhum tipo de programa acadêmico ou profissional”, relatou ele.

“Os indivíduos que se matricularam na Universidade de Farmington o fizeram intencionalmente”, disse Vance Callender, agente especial encarregado do escritório de Detroit da Homeland Security Investigations (HSI), em Detroit.

Os estudantes chegaram legalmente nos EUA, principalmente da Índia, e estavam em programas de visto de estudante F-1 quando se matricularam na Universidade que era secretamente composta por agentes secretos e tinha um site falso. Quase 80% dos 250 estudantes que foram presos deixaram os EUA voluntariamente, de acordo com o ICE.

Advogados alegam que os estudantes defendidos por eles caíram numa armadilha, pois seus clientes não sabiam que a escola era falsa quando se matricularam. Em janeiro de 2019, promotores federais anunciaram que agentes do ICE haviam secretamente criado a universidade, que matriculou mais de 600 estudantes estrangeiros nas áreas de Ciências e Tecnologia. O Departamento de Justiça (DOJ) se referiu à tática como um esquema de “pagamento para ficar”.

Em novembro, o número de estudantes que foram presos por infringir as leis de imigração no caso pulou para 250. A história chamou a atenção do público e de vários líderes políticos que criticaram ou levantaram questões sobre a tática.

Entre os críticos estavam vários democratas do Congresso, incluindo a Deputada Elissa Slotkin, de Michigan, a Deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, a Senadora Kamala Harris, da Califórnia, e a Senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, que está concorrendo à presidência.

“Isso é cruel e terrível”, postou Warren no Twitter sobre a Universidade. “Esses estudantes simplesmente sonhavam em obter o ensino superior de alta qualidade que os Estados Unidos podem oferecer. O ICE os enganou e os prendeu, apenas para deportá-los”.

O caso “levanta uma série de questões sérias e eu vou acompanhar para garantir que elas sejam respondidas”, disse Slotkin no sábado (7).

 

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