Governador da FL é criticado ao culpar trabalhadores latinos por surto de coronavírus

Ron DeSantis Governador da FL é criticado ao culpar trabalhadores latinos por surto de coronavírus
Ron DeSantis foi um dos últimos governadores dos EUA a emitir uma ordem de quarentena em todo o estado e um dos primeiros a reabrir a economia

O comissário da Agricultura da Flórida, Nikki Fried, argumentou que a maioria dos trabalhadores rurais foi embora várias semanas atrás após o término das colheitas 

Especialistas em saúde e defensores dos trabalhadores reagiram na sexta-feira (19) depois que o governador da Flórida, Ron DeSantis (R), disse que trabalhadores diaristas (bóias-frias)e agrícolas “predominantemente hispânicos” são um dos principais impulsionadores de um pico recorde nos casos COVID-19 no estado. DeSantis, que foi um dos últimos governadores dos EUA a emitir uma ordem de quarentena em todo o estado e um dos primeiros a reabrir a economia, disse a repórteres na terça-feira (16) que o aumento ocorreu principalmente em asilos, trabalhadores da construção civil, diaristas e trabalhadores rurais. Na semana passada, ele disse que “o surto número 1 que vimos é nas comunidades agrícolas”.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, apontou para grupos de trabalhadores diaristas e bóias-frias “predominantemente hispânicos” como a causa do recente surto de coronavírus no estado. Entretanto, trabalhadores rurais e associações do ramo argumentam que os recursos e os testes chegaram tarde demais à essas comunidades, de acordo com relatórios recentes. O governador republicano disse a repórteres na terça-feira (16) que as condições de vida e trabalho para trabalhadores imigrantes hispânicos são parcialmente responsáveis, segundo o canal de TV local WFOR-TV.

“Alguns desses indivíduos vão para o trabalho em um ônibus escolar e são todos aglomerados lá como sardinhas, atravessando o Condado de Palm Beach ou alguns desses outros lugares, e há todas essas oportunidades de transmissão”, disse DeSantis durante uma coletiva de imprensa em Tallahassee (FL).

Ele citou casos como numa fazenda de melancia e o Immokalee, um importante centro na produção de tomate, como evidência do aumento. Entretanto, o comissário da Agricultura da Flórida, Nikki Fried, argumentou que a maioria dos trabalhadores rurais foram embora várias semanas atrás após o término das colheitas e que o verdadeiro aumento do surto está nas áreas não agrícolas, de acordo com o jornal Miami Herald.

Além disso, Antônio Tovar, diretor executivo da Farmworker Association of Florida, disse que não é culpa dos trabalhadores rurais que eles sejam vulneráveis ao COVID-19. Ele apontou o dedo para DeSantis por ignorar pedidos de uma coalizão de 50 grupos que pediram ajuda no final de abril.

“Enviamos esta carta ao Governador há mais de dois meses e agora ele está percebendo que os trabalhadores estrangeiros correm mais riscos de serem infectados”, disse Tovar ao Serviço de Notícias da Flórida na quarta-feira (17). “Isso é muito vergonhoso porque ele foi aconselhado, foi informado quando enviamos a carta”.

Tovar afirmou que os recursos só vieram em maio, depois que muitos na comunidade agrícola do sudoeste da Flórida já estavam doentes.

“É tarde demais”, disse ele. “Foi cerca de duas semanas atrás, quando o departamento (de saúde) enviou um e-mail para muitas organizações dizendo:‘ Ei! Recebemos 2 milhões de máscaras faciais. Se você quiser, podemos dar-lhe máscaras”.

 

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