Coronavírus: Artista brasileiro faz protesto contra Bolsonaro na França

Julio Villani Coronavírus: Artista brasileiro faz protesto contra Bolsonaro na França
Os painéis do paulista Júlio Villani cobriram a fachada da Embaixada do Brasil, situada em um dos bairros mais nobres da capital francesa (Foto: Instagram)

Os painéis de Júlio Villani, sobre um fundo preto, exibiam frases como: “#ForaBolsonaro#”, “E daí? ”, ou ainda “Um outro Brasil é possível”

Na manhã de quinta-feira (21), as pessoas que passavam pelas margens do rio Sena, na região do 7° arrondissement de Paris, feriado na França, foi surpreendido por 6 grandes painéis verticais que cobriam boa parte da fachada da Embaixada do Brasil. As faixas traziam, sobre um fundo preto, frases como “#ForaBolsonaro#”, “E daí? ”, ou ainda “Um outro Brasil é possível”. As informações são da RFI.

A instalação é obra de Júlio Villani, artista brasileiro radicado em Paris desde os anos 1980 e reconhecido pela crítica especializada na França. Em sua conta nas redes sociais, ele publicou fotos e um vídeo do momento em que colocava as faixas diante do prédio, situado em um dos bairros mais nobres da capital francesa.

“Pano preto na janela da Embaixada”, postou Villani no Instagram.

“A instalação nos pegou de surpresa. Uma belíssima surpresa”, declarou Márcia Camargo, uma das fundadoras do grupo militante “Alerte France Brésil”, crítico ferrenho do governo atual brasileiro.

“Diante da exacerbação das medidas arbitrárias do governo Bolsonaro, pessoas que não eram engajadas e militantes começam a fazer atos espontaneamente. Isso mostra a que ponto chegou o desespero e a revolta das pessoas que nem estão ligadas aos grupos de resistência”, afirma, lembrando que Villani não é conhecido por se exprimir publicamente sobre posicionamentos políticos.

O artista não respondeu aos pedidos de entrevista da RFI. Já a representação diplomática brasileira em Paris enviou, por meio de seu assessor de imprensa, a seguinte reação oficial:
“Sem comentários da Embaixada do Brasil na França”.

Natural de Marília (SP), Júlio César Villani mudou-se para a capital paulista em 1974, onde cursa a Faculdade de Artes Plásticas (FAAP). Quatro anos mais tarde, em 1978, viaja para Londres (Inglaterra), e aperfeiçoa seus estudos na Watford School of Arts, lá permanecendo até 1980. Muda-se para Paris (França), em 1982, onde permanece durante um ano, estudando na École Nationale des Beaux-Arts.

“Embora a pintura lhe interesse de tempos em tempos, é no desenho que ele concretiza o fundamental de sua linguagem. Os mais recentes desenvolvem uma redução geométrica cujo controlado lirismo os põe na proximidade de Torres Garcia, ainda que dispensando os símbolos e os arquétipos deste. Nessa geometria, quadrados e triângulos predominam, com função imediatamente sugestiva. Quadrados sinalizam o espaço, triângulos enchem-no de tempo, dão a uma área sua exata duração. Da articulação de ambos, nascem, no desenho de Júlio, os personagens que tomam a forma de tudo à medida que sobre eles lançamos o nosso olhar ansioso de histórias. Barcos, casas, corpos, envelopes, bandeiras, labirintos, faixas buscando o infinito; a fala no nascedouro”, escreveu Roberto Pontual.

 

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