Começa o julgamento de brasileira que jogou filha na lixeira

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A próxima audiência de Rafaelle Alessandra Carvalho Sousa, de 35 anos, foi agendada para 3 de fevereiro

Rafaelle Alessandra Carvalho Sousa, de 35 anos, é acusada de ter jogado a filha recém-nascida na lixeira do condomínio onde morava em West Boca Raton (FL)

Durante audiência na segunda-feira (13), os advogados de Rafaelle Alessandra Carvalho Sousa, de 35 anos, moradora em West Boca Raton (FL), contestaram a confissão da brasileira, alegando que ela devia ser descartada, porque a réu não foi informada sobre o direito de permanecer em silêncio. Os advogados destacaram que a cliente deles não foi avisada que as declarações feitas pela manicure aos policiais podiam ser usadas contra ela pela justiça, conhecido como “Direitos Miranda”.

O juiz ainda não proferiu uma decisão sobre a moção para remover a confissão da suspeita e a próxima audiência ficou marcada para 3 de fevereiro.

. Entenda o caso:

Os advogados de defesa de Rafaelle  alegaram que ela desconhecia a gravidez e “se desesperou” quando deu a luz no banheiro do apartamento onde morava e deixou o bebê, em junho de 2019,  na lixeira do condomínio. Segundo os advogados David Casals e Samantha Vacciana, em entrevista ao jornal local Achei USA, a cliente deles relatou que a criança estava “azulada” e não respirava, portanto, fazendo com que a brasileira pensasse que a menina tivesse nascido morta. A manicure, que tem um filho de 3 anos, teria confundido os sintomas da segunda gravidez com dores musculares nas costas, decorrentes das muitas horas que passava curvada no trabalho.

Atualmente, Rafaelle está detida numa penitenciária do estado da Flórida e a criança sob a custódia do Departamento Infantil & Famílias (DCF), enquanto o caso tramita no tribunal. Na ocasião, o filho de 3 anos foi devolvido ao pai, marido da brasileira.

. Campanha beneficente:

Ainda em julho do ano passado, foi iniciada no website GoFundMe.com uma campanha beneficente para ajudar a brasileira, no momento já desativada.

. Depoimento de Rafaelle:

“Queria tanto ter mais uma filha menina, sempre disse isso para todos que perguntavam, e então essa bebezinha veio dessa forma que nem eu mesma sei o que aconteceu.Estou muito triste, meu coração dói e minha alma chora, mas tenho uma felicidade em saber que tenho meus filhos, e agora um amor incondicional por minha bebezinha e isso tem me fortalecido muito. Saber que tenho minha igreja, meus amigos, e minha família me apoiando e que acreditam em mim. Meu muito Obrigada!” Dizia a postagem no GoFundMe.com.

Além do depoimento da brasileira, foi postado no GoFundMe.com um texto detalhando o caso, que dividiu a opinião pública:

“Rafaelle Sousa é uma pessoa muito amada por todos que têm o privilégio de conhecê-la. Ela é filha, mãe, esposa amorosa, trabalhadora, umas das muitas imigrantes brasileiras vivendo nos Estados Unidos. No dia 8 de maio, uma dor inesperada, fortíssima e desconcertante tomou conta dela, de todo seu corpo. Pensando que tinha uma saúde perfeita, e incomodada unicamente por dor nas costas por trabalhar muitas horas diariamente como manicure, naquela manha sua corrida matinal teve de ser interrompida.
Mesmo tomando pílula anticoncepcional e remédios para a dor intensa na coluna, na verdade Rafaelle, sem saber, estava em trabalho de parto. Depois de dar a luz ao seu bebê, que não chorou, ela limpou seu corpinho imóvel, tentou faze-lo respirar, sem sucesso e, por isso, deduziu que tinha sofrido um aborto espontâneo. Desesperada e com imensas dores causadas por esta situação, ela já estava em estado de choque pós-parto.
Tomada pelo pânico, as dores terríveis, físicas e emocionais impactaram sua lucidez, com seu bebê aparentemente sem vida, imóvel em suas mãos, sob os efeitos físicos e psicológicos do estado puerperal, ela o colocou em um canto da área da lixeira do condomínio onde mora, e não dentro da lixeira como a mídia mal intencionada informou.
Horas depois, um morador encontrou o pequeno bebê chamou  a polícia, e este bebê por um milagre esta vivo!
Rafaelle extremamente perturbada, foi levada pela policia direto para a enfermaria de psiquiatria do hospital local e após ter passado pelos médicos foi levada para prisão de West Palm Beach.
Rafaelle não tentou machucar sua filhinha, sofrendo horas de dores intensas, fora de sua razão, não sabia o que estava fazendo. O Departamento de polícia cumprindo suas obrigações  acusa que uma mãe amorosa e cuidadosa  tentou tirar a vida de seu bebê recém-nascido.
Atualmente, o sistema judiciário americano  não têm  o devido conhecimento  sobre saúde reprodutiva, parto e os efeitos  causados durante e após a gestação. Justiça reprodutiva deve levar em consideração as circunstancias individuais de cada mulher. A ignorância continua colocando em risco a vida das mulheres, separando famílias, criminalizando uma situação que pode acontecer com muitas mulheres durante e após a gravidez, depressão pós-parto e um fator alarmante em nossa sociedade.
Nossa comunidade está se mobilizando para dar o apoio que Rafaelle e sua família necessitam.  Ajude-nos a arrecadar fundos para a defesa de uma mãe ativa em nossa igreja, amiga, amável e amada por todos nós. Precisamos que ela tenha a melhor representação legal possível. Sem advogados competentes para representá-la, médicos e psicólogos especialistas forenses, ela jamais poderá voltar a ver seus filhos.
Se cada um de nós contribuirmos,  Justiça e misericórdia serão os alicerces de sua defesa. Se não estamos oferecendo misericórdia aos mais vulneráveis entre nós o que estamos fazendo?” Concluiu a postagem no GoFundMe.com, na ocasião.

 

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