Casal morre em acidente ao fugir de agentes do ICE

Foto6 Santo Hilario Garcia e Marcelina Garcia Profecto Casal morre em acidente ao fugir de agentes do ICE
Santo Hilário Garcia (esq.), de 35 anos, e Marcelina Garcia Profecto (dir.), de 33 anos, morreram no local do acidente (Foto: Família)

Os boias-frias Santo Hilário Garcia e Marcelina Garcia Profecto procuravam emprego para o sustento dos 6 filhos

Na quarta-feira (14), um casal morreu num acidente quando aparentemente tentava fugir de agentes do Departamento de Imigração (ICE); que pararam o veículo depois de confundirem o motorista com um indocumentado procurado. O Departamento de Polícia de Delano (CA) informou que Santo Hilário Garcia, de 35 anos, e Marcelina Garcia Profecto, de 33 anos, morreram no local do acidente, após os agentes encontrarem o jipe capotado depois de chocar-se contra um poste. O trágico incidente ocorreu pouco antes das 7 horas da manhã.

O Sindicato United Farm Workers (UFW) informou que o casal trabalhava numa fazenda e que buscava trabalho para sustentar os 6 filhos. “Eles eram boias-frias na região de Delano e procuravam sustentar os seis filhos”, detalhou Arturo Rodriguez, presidente do UFW, numa coletiva de imprensa realizada no local do acidente. “Obviamente, eles pensavam nos filhos quando fugiram;  uma vez que perceberam que foram parados por um veículo à paisana do ICE e não da polícia local.

O Departamento de Polícia de Delano (DPD) disse através de um comunicado que Santo e Marcelina haviam sido interceptados por agentes do ICE, os quais acenderam as luzes de emergência da viatura para que eles parassem o veículo. As autoridades ainda não determinaram quem estava atrás do volante do jipe, mas o casal inicialmente parou, entretanto, acelerou assim que os agentes saíam da viatura. A polícia acrescentou que não foi determinado se o carro trafegava em alta velocidade e perdeu o controle, capotando depois de chocar-se contra um poste.

O ICE confirmou que seus agentes não somente pararam o jipe, mas que confundiram Garcia com o indivíduo que eles procuravam. “Os agentes do ICE chegaram à residência que eles acreditavam pertencer a um indivíduo mexicano que já havia sido previamente deportado. Um homem que combinava com a descrição do alvo saiu da residência e entrou em um veículo”, detalhou Jennifer Elzea, porta-voz do ICE.

As autoridades migratórias acrescentaram que os agentes pararam o carro de Garcia, acreditando que ele combinava com a descrição do alvo. Perguntado se houve confusão de dados, o órgão evitou comentar.

“Os agentes acenderam as luzes de alerta da viatura quando tentaram parar o motorista e, então, o veículo disparou em alta velocidade. Quando os agentes saíram do local onde havia sido feita a tentativa de parada, eles passaram por um veículo capotado e imediatamente acionaram o 911 em busca de ajuda”, acrescentou Elzea. “As equipes de resgate chegaram ao local poucos instantes depois”.

A porta-voz detalhou que Garcia era natural do México e que já havia retornado voluntariamente ao seu país de origem 3 vezes entre 2008 e 2017. Ela acrescentou que ele foi removido “segundo as diretrizes de remoção expressa de 2017”.

Elzea relatou que Garcia possuía antecedentes criminais, citando uma condenação por ele ter dirigido intoxicado (DUI) em 2014. Já Profecto não tinha “nenhuma interação com o ICE”.

A diretora do Departamento de Direitos dos Imigrantes da ACLU Southern Califórnia, Jennie Pasquarella, disse através de um comunicado que a ONG tem recebido “denúncias numerosas” do “ICE caçando nas estradas boias-frias a caminho dos trabalho nas fazendas e parando veículos nas primeiras horas da manhã sem qualquer base legal, resultando em inúmeras prisões ilegais dos residentes”.

Pasquarella detalhou que os agentes do ICE geralmente utilizam viaturas à paisana na detenção dos boias-frias, acrescentando que os agentes que pararam Santo e Marcelina também utilizaram um carro à paisana. “Esse incidente demonstra o quanto perigosas são as praticas ilegais do ICE para nossas comunidades”, disse ela. “Essa tragédia horrível é o resultado direto das táticas desumanas do ICE e o medo que isso provoca em pessoas trabalhadoras que correm o risco de perder tudo se forem deportadas”.

 

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