Brasileiros suspeitos de coronavírus têm testes cobrados em hospital

Foto34 Aviso de quarentena Brasileiros suspeitos de coronavírus têm testes cobrados em hospital
V.S., de 53 anos, recebeu um aviso no qual deveria se manter 14 dias afastado do trabalho, até que os sintomas desapareçam
Foto34 Valmir de Souza Brasileiros suspeitos de coronavírus têm testes cobrados em hospital
O recibo no valor de US$ 358 pagos por V.S.

No domingo (15), V.S, de 53 anos, e W.S., de 25 anos, foram atendidos no Newark Beth Israel Medical Center, em Newark (NJ)

Na tarde de sexta-feira (13), o brasileiro V.S., as iniciais foram utilizadas para proteger a privacidade dele, de 53 anos, morador no bairro do Ironbound, em Newark (NJ), começou a sentir dores no peito, tosse seca e falta de ar. Ele trabalha numa companhia que entrega todos os tipos de materiais e suprimentos, inclusive higiênicos, às delegacias, hospitais e outras empresas. Em meados da semana passada, ele realizou uma entrega no Hospital Presbiteriano, na região de “upstate” Nova York, onde teve que entrar nas instalações, a pedido de uma supervisora que conferia os materiais.

Ao chegar à casa na noite de sexta-feira (13), ele relatou que deixou as roupas de trabalho do lado de fora e tomou banho. Entretanto, no sábado (14) de manhã, ele começou a sentir dores no peito, que somente passava quando bebia água. No domingo (15), V.S. e o filho W.S., de 25 anos, decidiram ir ao Newark Beth Israel Medical Center para que pudessem ser examinados. O rapaz, que trabalha com turmas especiais de crianças portadoras de autismo e recentemente sofreu princípio de pneumonia, teve febre e, então, decidiu ser submetido ao teste.

O brasileiro relatou que foram muito bem atendidos pela equipe de plantão do hospital, tendo a pressão sanguínea e temperaturas medidas. No final dos exames, ele recebeu um aviso de quarentena atestando que “V.S. foi visto em nossas instalações hoje e deveria ser dispensado do trabalho durante esse período. Esse paciente tem sintomas parecidos com gripe e é possível que ele tenha COVID-19. Em virtude disso, esse paciente deve ficar distante do trabalho durante 14 dias e poderá retornar quando não apresentar mais sintomas. Por favor, refira-se à Declaração de Estado de Emergência do Governador”.

. Surpresa e ultraje:

No final dos exames, pai e filho foram informados que V.S. deveria pagar a quantia de US$ 358 por serviços hospitalares e W.S o valor de US$ 489, também pelos mesmos serviços. Além disso, eles foram informados que a “conta maior chegará nos próximos 20 dias”.

Em entrevista à equipe de reportagem do BV, na segunda-feira (16), V.S. demonstrou indignação e preocupação com a cobrança dos exames, uma vez que o Congresso dos EUA aprovou um pacote bilionário de ajuda no combate ao coronavírus, assinado pelo Presidente Trump. Ele destacou que muitos imigrantes que possam estar infectados com o vírus não tenham dinheiro para arcar com esses exames, caso tenham sintomas, não irem aos hospitais e acabem contaminando outras pessoas.

“Eu devo frisar que fomos muito bem atendidos pela equipe do hospital, mas nem todo mundo terá dinheiro para pagar por esses exames. O Congresso não liberou verba?! Então, por que eles estão cobrando?” Questionou V.S.

. Liberação de verba bilionária:

A lei de patrocínio na luta contra o coronavírus, assinada pelo Presidente Trump na sexta-feira (13), injeta muito mais dinheiro no tratamento e prevenção da disseminação do COVID-19 do que sua administração havia solicitado ao Congresso na semana passada. O pedido inicial do governo Trump, na forma de uma carta de 2 páginas ao Congresso, em 24 de fevereiro, foi de US$ 1,25 bilhão em verba, com dinheiro adicional transferido de outras partes do orçamento federal para totalizar US$ 2,5 bilhões. O valor autorizado na sexta-feira (13) é mais do que 3 vezes maior, ou seja, US$ 8.3 bilhões.

“É uma quantia significativa de dinheiro”, disse Jen Kates, da Kaiser Family Foundation. Em comparação, o Congresso investiu US$ 5,4 bilhões na resposta ao Ebola em 2014 e quase US$ 7 bilhões no H1N1 em 2009; embora, é claro, cada epidemia seja diferente e exija uma resposta diferente.

 

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